A decisão de engravidar” – também conhecida como “a maior aventura de uma vida

A gravidez é um momento muito emocionante, repleto de expectativas e entusiasmo, e planeá-la é um passo entusiasmante na vida do casal.

A chegada de uma criança (ou mais!) traz diversas alterações: sociais (nomeadamente familiares e na relação do casal), financeiros e psicológicos: ter uma boa rede de apoio e confiar na vossa equipa de saúde é um bom ponto de partida para poder usufruir desta caminhada com a maior tranquilidade e melhores resultados possíveis.

Existe uma consulta disponível e isenta de taxas moderadoras na vossa USF/UCSP: a consulta de “pré-concepção”, destinada ao casal que expressa vontade de vir a engravidar. Tem por objetivo promover a saúde do casal e da criança, informando o casal das suas opções para que possa tomar decisões informadas, e diminuir o risco de doença ou eventual morte (materna, neonatal e infantil), sendo também uma ajuda para antecipar possíveis problemas e delinear estratégias para a sua solução.

Quando devem marcar esta consulta?

Pelo menos 3 meses antes de suspender a contraceção. Entre outras, serão discutidos:

– Risco genético (deve informar o seu médico se houver história de doenças congénitas ou défices cognitivos na sua família, para aconselhamento especializado);

– Questões patológicas, nomeadamente se tiver doenças crónicas ou fizer medicação regular, prescrita ou não, e esclarecer o casal sobre opções seguras.

– Risco de exposição (por exemplo a agentes teratogénicos no trabalho e em casa), para além de certas posturas e tipos de trabalhos pesados ou com longa permanência em pé, que têm sido associados a parto pré-termo ou a baixo peso ao nascer.

Nesta fase é importante fazer algumas análises, nomeadamente relativas à imunidade da (futura) mãe a diversas infeções, e conhecer o seu grupo sanguíneo. O parceiro poderá acompanhá-la: em situações específicas poderá ter também de fazer análises.

Finalmente, nesta consulta também vai iniciar alguns suplementos essenciais a um bom desenvolvimento fetal e esclarecer todas as dúvidas!

(Se achar que está grávida, mesmo sem ir a consulta pré-conceção, deve visitar o mais precocemente possível o seu médico de família, de forma a iniciar esta suplementação e realizar os estudos necessários).

Nesta fase (apesar de ainda irem surgir dúvidas e anseios – é normal!) o casal estará preparado para iniciar uma aventura de muito namoro, de preferência sem pressões e expectativas. Uma vida sexual mais ativa durante o período fértil aumenta a probabilidade de gravidez, no entanto o ideal será o casal não atribuir ansiedade a este momento, ou modificar de forma significativa os seus hábitos sexuais.

Além disto, é natural que não engravide imediatamente ao suspender a contraceção – no geral, só se considera infertilidade após um ano de relações regulares sem conceção.

Algumas recomendações finais que contribuem para uma gravidez com sucesso:

  • Fazer refeições de 3 em 3 horas (6 refeições diárias),
  • Preferir o consumo de frutas e vegetais,
  • Ingestão equilibrada de proteína (carne, peixe, leguminosas) e hidratos de carbono (pão, massa e arroz),
  • Evitar o consumo excessivo de fritos, produtos açucarados e sal,
  • Ingerir pelo menos 1,5 L de água por dia.

De acordo com os resultados das suas análises poderá receber outras recomendações.

  • Manter exercício físico regular, numa intensidade e duração que se adeque a si, sendo também uma ótima forma de aliviar o stress.
  • São de evitar exercícios de impacto, principalmente quando achar (ou souber) que está grávida (desportos coletivos, corrida, ténis ou surf). São atividades seguras as caminhadas, natação, hidroginástica e andar de bicicleta.
  • O consumo de drogas, tabaco (ou exposição a fumo) e álcool estão associados a parto pré-termo, baixo peso ao nascer, aborto e morte neonatal. É importante que reduza ou mesmo suspenda estes hábitos. Informe-se como com o seu médico.

Poderá encontrar mais informação no site da DGS, em:  https://www.dgs.pt/em-destaque/programa-nacional-para-a-vigilancia-da-gravidez-de-baixo-risco.aspx

 

Artigo escrito por: Cláudia Silva, Médica de Medicina Geral e Familiar.

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