A História da Íris

 

A nossa história começou em 2017, quando decidimos engravidar. Passaram-se dias, semanas, meses e nada. Começava a pensar que eu tinha algum problema por não engravidar até que finalmente quase 3 anos depois de vários testes negativos, finalmente o tão desejado POSITIVO apareceu. Só eu é o meu namorado e que sabíamos o quanto a nossa gravidez era planeada, quanto esse bebé foi esperado e amado, aliás esses 2 bebés, sim havia 2 lindos corações batendo dentro de mim.

Chegou o 3 mês de gravidez comecei com umas perdas de sangue não dei muita atenção (pensei que fosse normal) até que o meu namorado depois de uns dias de perda de sangue decidimos ir nas urgências ( maternidade Bissaya Barreto – Coimbra) não deram grande importância, disseram que deveria ser um descolamento da placenta receitaram uma medicação e um repouso absoluto (15 dias). Durante esse tempo todo não sai da cama praticamente para nada, mas já sabia, cá dentro no meu coração, que tinha perdido os meus tão sonhados bebés. Por fim, chegou o maldito dia 11 de Novembro de 2019 que veio a confirmar as minhas suspeitas, tinha perdido os meus anjinhos… Só nós os dois e que sabemos o quanto o meu mundo desabou e o quanto foi difícil ter forças todos os dias para continuar a sobreviver depois da perda. Nesse momento, cada vez entendia menos o propósito de Deus e o porquê de eu ter que passar por isso. Mas tentei  arrancar forças nem sei de onde continuar a viver, voltar ao trabalho. Saí da maternidade sem dores físicas, só com uma dor bem forte e inexplicável na alma e no coração. Quantas vezes depois disso choramos abraçados, somente choramos, sem falar nada, sem nos olharmos… O colo um do outro simplesmente consolava a dor que sentíamos no momento. Foi difícil, revoltei-me contra o mundo, contra a Deus chorei e questionei “porque Deus? Porque eu? Doía cada vez que eu lembrava dos meus bebés, sempre que olhava e me ia na minha barriga agora vazia.

Os médicos disseram-me que só deveria tentar engravidar novamente 6 meses depois. Só que no meio de tanto choro e de tanta reza 4 meses depois descobrimos que Deus tinha-nos dando uma nova chance: estava grávida novamente. Teríamos agora que lutar com tudo o que iria acontecer, por isso decidimos não contar para ninguém, com medo de voltar acontecer o mesmo, não sabíamos como iria ser a partir da ai. Com o meu historial todo; descolamento da placenta, diabetes gestacional, aborto, e com um septo no útero o meu médico pôs-me de baixa por gravidez de risco. Portei-me bem, fiz tudo o que o médico dizia para fazer. Já chegava o medo e a insegurança que sentia. Não consegui viver a gravidez como desejava desfrutar. Sempre que ia nas consultas e ouvia que estava a correr tudo bem com o bebé eu respirava fundo de alívio, festejava mais uma semana de vitória, mais um mês.

So que a pequena Íris, decidiu pregar uma partida aos pais. Então com 25 semanas já queria nascer. Entrei nas urgências da maternidade Bissaya Barreto com rompimento da bolsa, já estava com 2cm de dilatação e com contrações (apesar de não as estar a sentir). Fiquei internada com repouso absoluto por 2 semanas. Quando a Íris decidiu que já estava mais que altura de conhecer os papás e o mundo à sua volta de parto normal as 3:31h de 1 de Outubro de 2020 com 870g e 35 cm. O parto prematuro aconteceu devido ao meu problema do descolamento da placenta, da rutura da bolsa, diabetes gestacional e talvez uma infecção vaginal que nunca acabou por ser considerado. Quando a pequena nasceu ouvi um choro bem fraquinho. Levaram logo para a incubadora por ser tão pequena e frágil, mas com uma grande força para lutar pela sua vida.

Foram longos 59 dias de internamento na UCIN, sendo 10 dias entubada e de 15 a cpap. A nossa menina enfrentou hemorragia cerebral tipo 2 e uma pequena hemorragia nos pulmões, levou 3 transfusões de sangue e fez 2 ciclos de fototerapia.

Finalmente chegou a tão sonhada alta, pesando 2,010 e com 41 cm de comprimento.  Finalmente acabou o nosso sofrimento e vamos poder ir para casa conhecer o colo do pai já que era uma bebé que nasceu em plena pandemia não conhecia o colo do pai e muito menos o toque dele. Pensávamos que seria agora que começavamos a ser uma família…. Mal sabíamos o que iria acontecer…

5 dias depois a pequena Íris, deixa de querer mamar, perder a sua vivacidade e a começa a inchar. Decidimos levar para as urgências pediátricas. Entrou em estado de hipotermia grave e falência multiorgânica. Durante a noite fez várias apneias, o seu estado piorou e bastante, fez hipotensão, bradicardia 80-90 bpm, edemas periorbitários e hiporeatividade a estímulos apenas choro quando forçado. Teve que ser novamente entubada durante 12 dias com diagnóstico de falência multiorganica (insuficiência respiratória aguda).

Durante este tempo teve que levar mais uma transfusão de sangue, e ao fim de várias e milhares exames e a desesperar recebemos o resultado que a Íris sofre de hipotireoidismo (o corpo não consegue controlar a temperatura corporal, a tiróide não se desenvolveu, completamente). Ao fim de 20 dias a pequena grande guerreira teve alta, agora sim vamos para casa, para começarmos a nossa tão sonhada família.

Hoje a pequena Íris tem 4 meses e meio cronológicos e 1 e meio de idade corrigida pesa 3,720 kg e tem 51 cm. Está saudável e sem mais sustos, é uma bebé muito feliz e atenta. Veio ao mundo para nos ensinar tanto, mas principalmente para termos paciência e desfrutar das pequenas coisas.

Obrigado minha pequena grande guerreira 💙💕💕

 

História escrita por Sofia Gama, mãe da Íris.

Partilha este artigo:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.