A História do Sebastião

A nossa história começou antes do tempo.  O nosso bebé quis conhecer o mundo 2 meses antes da data prevista para o parto. Depois de um parto muito traumático, foi difícil compreendermos o que se estava a passar. Pude ver o nosso menino passadas 8h, e ali estava ele, muito frágil e pequenino dentro da incubadora, tapado com uma mantinha cor de rosa às bolinhas brancas.

A vida na neonatologia é uma montanha russa de emoções. Sentimo-nos completamente assoberbados e perdidos no meio de tantos tubos, apitos e informações. Tentamos absorver o que nos dizem, mas é difícil reter tanta informação, parece tudo demasiado surreal.  Aparentemente tudo estava bem, não havia dificuldades respiratórias, e tirando algumas marcas no corpo provocadas pelos fórceps, tudo parecia estar a evoluir bem. Ao fim de 3 dias nos cuidados intensivos passou para os intermédios. Respirava autonomamente, ia tolerando o leite materno nas pequenas quantidades administradas, ou seja, estava tudo a correr bem. Juro que acreditei que iríamos ficar só uns dias, apenas até que fosse autónomo na alimentação e que atingisse um bom peso. 

Até que descobrimos que numa Neonatologia não se podem fazer planos a longo prazo, temos de ir vivendo hora a hora. Os primeiros sinais de que algo não estava bem surgiram quando ele deixou de tolerar o leitinho. A barriguinha começou a inchar, as análises traziam resultados alterados, foram feitos mais exames, mas ninguém estava a conseguir perceber o que se passava… Voltou para os cuidados intensivos e nós estávamos cada vez mais assustados, era demasiada informação para assimilar numa fase que se quer tranquila.

Num dia de sol, no dia – coincidência das coincidências – do santo padroeiro do nome que escolhemos para o nosso menino, no mesmo dia em que por momentos pensámos que as coisas pudessem estar a melhorar, soubemos que ia ser transferido para Lisboa. 

Já no Hospital Dona Estefânia, o nosso mundo desabou. O nosso pequenino ia ter de ser operado de urgência, e não nos garantiam que a operação tivesse um final feliz. Foi um processo muito difícil. A família, longe, tentava transmitir-nos esperança e força. Nós íamos tentando ter força para agarrar a mão um do outro, amparando-nos mutuamente nos momentos em que parecia que o chão nos queria sugar. Todos os cenários nos passaram pela cabeça, as lágrimas corriam ininterruptamente. Mas graças a Deus e àquela equipa extraordinária, correu tudo pelo melhor. A recuperação ia ser lenta, mas o pior cenário foi descartado. 

Foi preciso acreditar muito, ter imensa fé, confiar no nosso menino e na força gigante que um ser minúsculo pode ter! Do alto do seu quilo e setecentos, grama a grama lá foi crescendo. 

Eu, a mãe, fiz tudo o que pude para ter sempre leitinho materno para lhe dar (a bomba tornou-se uma parte de mim); oscilava entre a alegria imensa que sentia quando o olhava nos olhos, e o medo aterrador que sentia sempre que o monitor apitava. Chorava sempre que ia a casa e deixava o meu menino “sozinho”. O pai amava os momentos que passava com o seu pequenino ao colo, a trocar olhares ternos e em conversas que só eles entendiam. Estivemos sempre juntos, fomos o apoio, a força e a fonte de energia um do outro. 

Depois de duas operações e dois meses de internamento, tivemos a tão esperada boa-nova: íamos ter alta. No dia em que completaríamos as 40 semanas e 4 dias,

no dia em que provavelmente já teria nascido “no tempo”, pudemos vir para a nossa casa ser tudo o que uma família deve ser. 

Seremos eternamente gratos a toda a equipa do Hospital Dona Estefânia, equipa médica, enfermeiras, auxiliares, técnica, foram todos excepcionais. Cuidaram do nosso menino e de todos os outros com muito amor e dedicação.

Hoje é um bebé muito feliz e perspicaz. Graças a Deus não tem qualquer problema de desenvolvimento. Veio ao mundo para nos ensinar tanto, o meu pequenino. 

A todos os pais de prematuros: nunca deixem de acreditar na força que o vosso bebé tem. Eles são pequeninos, mas têm tanta coragem e vontade de viver que vão vencer todas as batalhas. Acreditem 

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Inês

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