História do Lourenço

Ora bem a minha gravidez foi planeada. Desde já eu sabia que tinha o colo do útero curto e com 10 semanas fiz uma cerclagem e correu tudo bem! Levei uma vida normal sem nada apontar. Esta não era a minha primeira tentativa de gravidez mas sim a 5°. Fui seguida por uma equipa espetacular no hospital santa Maria. E desta vez fiz tudo o que tinha direito. Quando me senti preparada claro, preparar as coisas para a chegada do Lourenço desde o quarto e até um chá de bebé fiz e correu muito bem. Estava tão feliz… E nada previa o que ia acontecer. 

Uma vez fui a farmácia para medir a minha tensão e a farmacêutica disse que estava um pouco alta mas nada de mais. Um dia chego do trabalho, acabada de comer, vou fazer xixi qual é o  pânico vejo sangue! Na altura o pai do Lourenço não estava por perto. Chamei as minhas amigas, uma delas veio ter comigo e outra ligou para ambulância. Quando cheguei lá a tensão estava alta ,não havia lugar para mim lá e mandaram-me para o S. Francisco Xavier. Fiquei uma semana lá e só com uma visita num quarto sozinha. Passado uma semana vou embora com a tensão alta ainda. Liguei para a minha médica no hospital Santa Maria que me disse: já para o hospital não a quero assim em casa se não ficar internada venha falar comigo! Assim o fiz mas quando cheguei ao hospital vi que a medica se tinha antecipado e já tinha falado nas urgências. Entubaram e algaliaram e começaram a dar já a medição para os pulmões do meu bebé! Fui transferida para a Alfredo da costa!

Na maternidade Alfredo da costa fiquei uma semana ligada a uma máquina que apitava por tudo por nada. No S.O. A minha tensão nem com medicação baixava. Lembro-me de estar lá uma rapariga grávida que começou a ter contrações. Essa noite a minha tensão disparou de tal forma que três vezes os médicos foram ter comigo. Eu estava calma e dizia  que não entendia porque é que a máquina está apitar! Tudo acalmou quando a outra grávida saiu para a sala de partos. Sexta disseram que o meu bebé tinha perdido peso e, por isso, ia fazer uma eco no sábado e a medica ia decidir o que fazer. Fiquei tranquila… Sábado fui fazer eco! A médica disse que ia falar comigo. Longe de mim saber o que ela ia dizer. Eu queria era comer as minhas bolachinhas estava na minha hora… Quando ela chegou ao pé de mim disse já não come mais nada o Lourenço nasce hoje às 18h00! Estava nas nuvens. Mas confiante! Eu sabia que ele ia nascer antes do tempo mas não imaginava nem tinha ideia do poderia acontecer com o meu filho por ser prematuro de 32 semanas. 

Estava serena… Nesse dia enfermeira disse que ia estar lá para me acompanhar! Era ela, a sra das limpezas que esteve na sala de partos para me dar a mão. Ouvimos o hino pois o Lourenço nasceu no dia de Portugal. E lá começamos nós a cesariana! Nem o vi. Quando fui para o quarto e o pai estava ao pé de mim, a médica disse o Lourenço já foi aspirado e entubado. Aí sim cai na realidade. Oh meu Deus que vou encontrar…

Dia seguinte consegui ir vê-lo de cadeira de rodas. Meu Deus tanta máquina apitar. Olho nas vitrines e vejo bebés tão pequenos. O mundo ia desabar ainda por cima ele estava lá no fim do corredor. Olhamos para ele tão indefeso. É possível ter um bebé e não ouvir o choro não poder tocar nem ouvir ele. Esta era a minha realidade. Fiquei feliz por o conhecer. Pesava 1.500kg. Estava ali o meu pipoca. Era meu. 

Dois dias depois fui ver ele comecei com umas dores horríveis não conseguia andar nem me levantar da cama. A medicação não fazia efeito para as dores e faltava um dia para eu ter alta. Fui fazer uma eco e não me conseguia levantar da cadeira para me deitar numa marquesa. Ajudaram -me não viram nada. Mandaram me para outro hospital para fazer exame. 

Mal.sabia eu o meu pesadelo ia começar. Às 00 horas disseram que tinha ficar ali e por uma sonda no nariz. Pensei o meu filho num hospital eu em outro. Resumindo tive um Volvo tive que ser operada de urgência. 32 agrafos levei eu. 

Na recuperação passei mal desmaiei, a recuperação é horrível. Mas quando temos filhos vamos buscar forças não sei onde  Uma semana saí, tive alta ainda com agrafos fui ver o meu amor! Lá ia para casa e ia ver ele. Passava o dia no hospital…Andei de rastos. Mas havia pais que estavam em situação pior que eu. Isso deixava me de coração nas mãos mas com força! E pronto um mês Lourenço teve alta e veio para casa! Graças a Deus não tem sequelas. É seguido na mac está tudo bem. 

Tem a sua personalidade e não gosta que se imponha nada ele tem o tempo dele. Esperto. Grande. 

 

Texto escrito por: Mimi Correia, mãe do Lourenço.

 

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